“Agro é Tech, Agro é pop, mas Agro é parte. ECO é TUDO!”

Da mesma forma que os elementos e processos naturais atuam como infraestrutura essencial às cidades, eles também o fazem no campo, sendo base da produção com seus produtos e serviços ecossistêmicos de diversos tipos. Assim, o conceito de infraestrutura verde ou natural tem de estar na pauta central de quem quer bem pensar, gerenciar ou empreender no meio rural, dentro e fora da porteira. Quando se fala em infraestrutura rural, via de regra elencam-se estradas, pontes, armazéns e silos, sistemas de irrigação, represas, cerca, curral, casas e galpões, equipamentos, etc. Mas são esquecidos, desprezados ou subdimensionados as estruturas e os benefícios que os ecossistemas provém, todos eles essenciais e interligados. Como em tudo que envolve a Teia da Vida, seu entendimento e valoração, bem como sua forte conexão com a economia, é preciso substituir o pensamento mecanicista e unilateral pelo sistêmico, e a arrogância e ilusão humana por humildade, gratidão e senso de pertencimento à Mãe Terra.  

Serviços ecossistêmicos

Este conceito tem a ver com os benefícios que os distintos ecossistemas trazem às atividades humanas. A Plataforma Intergovernamental da Biodiversidade e de Serviços Ecossistêmicos (IPBES) e a Classificação Internacional Comum dos Serviços Ecossistêmicos (CICES), sob a tutela da ONU, consideram atualmente três categorias: provisão, regulação e culturais. Já a iniciativa TEEB, sigla em inglês para a Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade, traz a sua conceituação e mensuração quantitativa e econômica. Cabe aqui entender que áreas cultivadas, em conjunto com suas áreas naturais, podem ser entendidas como “agroecossistemas” funcionando na escala local, regional, nacional e global, algumas vezes com características e vantagens similares aos biomas naturais, a depender do (bom) manejo.

Águas em suas distintas formas

Sem água, não há produção. Água no ar e na terra, água na forma de chuvas, rios, reservatórios e em estoque ao longo do perfil do solo. As fábricas de chuva sendo as florestas e os oceanos, com os seus processos de evaporação e evapotranspiração, as nuvens se encarregando do transporte. As fábricas de água sendo as nascentes, os brejos e veredas, as áreas de carga, com os processos de infiltração e movimento da água no perfil do solo e das rochas, interagindo com o relevo e a paisagem. Assim, sob a ótica ambiental e comunitária, toda propriedade é uma fábrica de água, em maior ou menor grau e importância estratégica. Sob a ótica econômica e técnica, o balanço, a disponibilidade e o manejo hídricos dos solos, da cultura e da propriedade são decisivos para a produção e os lucros.   

Solo, a base da produção

Leigos ou até mesmo crianças percebem que o solo é a base para os vegetais, é intuitivo. Já sob a ótica da boa engenharia agronômica e diversas de suas disciplinas (em destaque edafologia, fisiologia e nutrição vegetal), entende-se e trata-se o solo não como um substrato estéril, mero apoio de fixação, mas um sistema vivo, com caráter físico, químico e biológico, que interage de forma ativa e sinérgica com os microorganismos e os vegetais. Um enorme e complexo banco de nutrientes para as plantas; o maior e mais importante banco dos agricultores, onde este deposita seus recursos, na forma de sementes, fertilizantes, defensivos e operações manuais e mecanizadas que são convertidos pelo desenvolvimento vegetal em produtos a serem colhidos e só então convertidos em lucros e recursos financeiros.

Biodiversidade

Os biomas, com suas plantas, animais e microorganismos nativos, também fazem parte da infraestrutura natural essencial à produção, de forma direta ou indireta, em escala local, regional ou setorial. Tanto como sistemas de drenagem natural, protetores dos solos e águas, reguladores microclimáticos, criatórios naturais de inimigos naturais das pragas e doenças e também de polinizadores das culturas; quanto no fornecimento de produtos defensivos e base genética para a evolução direcionada das espécies cultivadas. Entre outros benefícios!     

Palavras mágicas

A modernidade no campo tem base forte na tecnologia da informação; já o desenvolvimento, no respeito aos ciclos naturais, nos princípios agronômicos e ecológicos, no bom manejo da terra – misto de ciências, tecnologias e sabedoria.