Duas das vítimas de suposto estupro de vulneráveis envolvendo o jogador de futebol Jobson Leandro, 31 anos, faltaram à audiência de instrução e julgamento em dezembro, na cidade de Colmeia, e serão conduzidas coercitivamente para uma nova audiência, remarcada pelo juiz Ricardo Glaguiard.

Ele é o juiz responsável pela ação penal na qual o jogador e dois amigos dele, Lucas Espíndula de Lima, 23 anos, e Gilvan Miranda Alves, 32 anos, são acusados de estupro de vulneráveis cometidos contra três menores de Conceição do Araguaia (PA), cidade onde o processo teve início. Tempo depois, o processo acabou transferido para Colmeia que é a sede da Comarca que abrange Couto Magalhães, cidade tocantinense na divisa com o Pará, onde os crimes teriam sido cometidos na madrugada de 13 de junho de 2016.

Os três mandados de condução coercitiva foram expedidos pelo juiz Fábio Costa Gonzaga, em substituição ao titular da comarca de Colméia na sexta-feira, 1º. Segundo os documentos, duas das três vítimas, hoje com 16 e 17 anos, e uma testemunha serão conduzidas coercitivamente para a audiência de instrução e julgamento no dia 28 deste mês, às 14 horas, caso decidam não aparecer ao compromisso.

"Caso não compareça espontaneamente, será conduzida coercitivamente a sala própria do Fórum, na forma e sob as penas da Lei, sendo lícito ao executor do presente mandado solicitar força policial em caso de não comparecimento por livre e espontânea vontade, oposição ou resistência da parte", diz o juiz nos dois documentos.

Na audiência, as vítimas e testemunhas serão ouvidas e os três réus interrogados, segundo o juiz registrou na ata da frustrada audiência, do dia 11 de dezembro, quando compareceram os acusados, Jobson e Lucas e uma testemunha. Faltaram as duas vítimas e o terceiro acusado, Alves, que se encontra recolhido na Divisão de Controle e Custódia de Presos de Brasília. O juiz já requereu o recambiamento dele em tempo de ser interrogado na audiência do dia 28.

Reincidências

Leandro chegou a ser preso por três vezes, em junho de 2016, após a suspeita do estupro de vulnerável, e liberado dois meses depois com o pagamento de R$ 22 mil de fiança. Em 2017 voltou a ser preso por duas vezes, ao lado de Alves. Uma, após se envolverem em acidente de carro na TO-080, entre Marianópolis e Divinópolis, descumprindo medida que os impedia de deixarem a cidade. O acidente matou uma pessoa e deixou quatro feridas, incluindo um atleta. Novamente foi solto com o pagamento de 10 salários mínimos e sob novas medidas cautelares: tornozeleira eletrônica, proibição de se ausentar de Couto Magalhães sem autorização e recolhimento em casa entre 19 h e 6 h.

Em setembro, Leandro e Alves tiveram novamente a liberdade provisória revogada e foi decretada nova prisão após o monitoramento eletrônico mostrar que eles descumpriam restrições de deslocamento, com várias viagens para a cidade de Conceição do Araguaia, onde permaneciam até tarde da noite. O jogador só foi solto em abril de 2018 quando recebeu nova tornozeleira eletrônica. 

Retorno nos jogos

Em agosto de 2018, o jogador apresentou proposta para jogar no clube Brasiliense e recebeu autorização da justiça para morar em Brasilia, sem tornozeleira, mas com recolhimento noturno em um endereço também autorizado pela Justiça. Desde então ele é obrigado a apresentar semanalmente um relatório de atividades desenvolvidas no time, assinado pelos dirigentes. O último documento é do dia 31 de janeiro em um relatório assinado por Paulo Henrique Lorenzo, um dos dirigentes do time.