Em entrevista ao site Conjur, o ministro Gilmar Mendes, do STF, disse que nos próximo dez anos será preciso repensar e discutir o tamanho da Justiça do Trabalho e levar em conta a possibilidade de as ações que discutem novas relações de trabalho passarem a ser atribuição da Justiça comum. 
 
“Tenho a visão de que a Justiça do Trabalho vai continuar sendo importante no Brasil, considerando as nossas assimetrias regionais. Mas talvez ela esteja superdimensionada. Já tivemos debates sobre se acidente de trabalho ficaria na Justiça do Trabalho ou na Justiça comum, por exemplo. É questão de ajuste e em pouco tempo isso se fará”, disse ele. 
 
Em outro trecho da entrevista, o ministro disse o seguinte: “Em questões do consumidor, por exemplo, às vezes o sujeito se sente lesado na compra de produtos e no atendimento. Será que não seria melhor enfatizar a arbitragem pelo Procon? É uma experiência positiva no Brasil. Nos casos de consumidores insatisfeitos, poderia haver uma composição que não precisasse chegar ao Judiciário”. 
 
Sobre a Operação Lava Jato o entrevistado observou: “O sistema estava muito equivocado. A relação de juiz com promotor, os abusos perpetrados, as coações verificadas, tudo isso precisa ser olhado com muito cuidado para que a gente entenda e não repita isso. Por isso tenho dito que é fundamental fazer-se uma comissão da verdade para examinar o que de fato ocorreu. Em geral, ninguém quer falar sobre isso. A imprensa não quer porque muitos, de alguma forma, deram apoio. Os setores do Judiciário também não querem falar. E isso vai ficando para debaixo do tapete”.