Nesta terça-feira (2) é celebrado o Dia Mundial de Conscientização Sobre o Autismo. Conforme o Ministério da Saúde, a data estabelecida em 2007, tem por objetivo difundir informações para a população sobre o autismo e assim reduzir a discriminação e o preconceito que cercam as pessoas afetadas pelo transtorno.

Embora algumas pessoas com o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) possam viver de forma independente, existem outras com deficiências severas que precisam de atenção e apoio constante ao longo de suas vidas.

É o caso de Samuel Rodrigues Menezes, de 27 anos, que teve o diagnóstico aos 5 anos de idade, com grau severo de autismo. Segundo a mãe, a dona de casa Sioneide Araújo Rodrigues Souza, as redes de apoio ainda são ineficientes para adultos com o diagnóstico.

"O autista não deixa de ser autista depois que fica adulto, pelo contrário, quando adulto, complica mais ainda. O que bate na nossa mente é o desespero, é a dor de saber que somos esquecidas, que não tem ninguém por nós, mãe de autistas adultos. Não somos assistidas, como deveríamos ser assistidas".

A jornalista Terciany Ribeiro Lima, de 47 anos, é mãe do estudante Arthur Magnus da Silva Coimbra, de 21. Ele tem o diagnóstico do TEA nível 2, e ela explica que uma das maiores dificuldades enfrentadas é o acesso a serviços especializados tanto na área da saúde quanto na educação para autistas adultos.

"Não só no Tocantins, mas também no Brasil, encontramos dificuldades no acesso a serviços de saúde e educação adequados para o acompanhamento e tratamento de adultos com Transtorno do Espectro Autista (TEA)". 

Segundo ela, a maior parte dos profissionais que fazem atendimento multidisciplinar como médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas e pedagogos possuem especialização no atendimento a crianças e adolescentes. Entretanto, quando se trata da maioridade, há uma escassez muito grande de profissionais especializados para atender os autistas adultos.

Ela relata que promover a inclusão e a participação do filho na sociedade é importante para o bem-estar emocional e psicossocial dele. 

"Envolvê-lo em atividades recreativas, culturais e esportivas inclusivas é fundamental para a promoção do seu desenvolvimento social de maneira mais significativa em sua vida. Também é essencial desenvolver habilidades funcionais para promover a independência com maior qualidade. Isso inclui as habilidades de vida diária, que para nós, considerados “normais”, são muito simples, mas para eles, os autistas são bem complicados e difíceis".

A Lúcia Sanches da Costa, de 39 anos, é mãe do Júlio César Sanches Andrade, 10 anos, que tem diagnóstico de autismo grau suporte 2. Para ela, o grande desafio enfrentado por uma criança com Transtorno do Espectro Autista, é a falta de inclusão.

"Sempre tem aqueles que olham com um olhar torto. Em vez de estender a mão, preferem criticar, então eu colocaria o preconceito, e a falta empatia como um dos maiores desafios".

Ela conta que o filho foi diagnosticado aos 4 anos de idade. De acordo com a dona de casa, ela começou a investigar devido ao atraso de fala, que até hoje não é verbal. 

"Então a gente começou a ir atrás devido ao atraso de fala e algumas características que a gente notava nele em comparação a outra criança que tinha o diagnóstico de andar na ponta dos pés, de apagar e acender luz, contato visual baixo e principalmente pelo atraso da linguagem".

Segundo  Lúcia Sanches a maior barreira enfrentada por ela, é o descaso do poder público em relação principalmente à terapia.

"Uma criança ou um adulto, enfim, com o diagnóstico de T.E.A., ele necessita de terapias constantemente, a longo prazo, ou prazo indeterminado. Palmas está muito defasado nessa questão".

 O que é o autismo?

Segundo a SES, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição de saúde que afeta o desenvolvimento neurológico, mudando a forma como uma pessoa percebe o mundo e se socializa. Atinge duas áreas do desenvolvimento humano, a comunicação e a interação social. Pode ser diagnosticado desde a infância, mas também é descoberto na fase adulta. 

Alguns dos sinais comuns em crianças com autismo é o atraso na fala, não responder quando chamado, e poucas expressões faciais. Em adultos, uma característica marcante é a dificuldade de interagir socialmente. Embora alguns possam viver de forma independente, outros precisarão de apoio no decorrer de toda a vida. Isso porque o autismo é classificado por níveis que variam de leve, moderado e severo. Por isso, no tratamento, o apoio é de acordo com a necessidade.

Como ajudar?

O apoio emocional é fundamental. Alguns atos como estabelecer horários e reduzir barulhos promovem segurança. Para a pessoa com autismo, a comunicação contribui para a qualidade de vida, essa e outras habilidades sociais podem ser desenvolvidas com a ajuda de profissionais.

Rede de cuidados no SUS

No Tocantins, as pessoas com TEA são acolhidas nos Centros Especializados em Reabilitação (CERs) localizados em Palmas e Colinas. Nos locais, são atendidos por uma equipe multiprofissional, composta por neuropediatra, psiquiatra, nutricionista, educador físico, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo e neuropsicopedagogo.

A SES aprovou na Comissão Intergestores Bipartite (CIB), o Plano de Ação da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, que visa a captação de recursos com o Ministério da Saúde (MS), para construção de mais seis Centros Especializados em Reabilitação. Destes, dois já tiveram recursos homologados e serão construídos nas cidades de Sítio Novo e Dianópolis.

Também foi aprovada em CIB, a Linha de Cuidado da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que prevê o fluxo de atendimento, iniciando desde o nascimento da criança por meio da carteirinha de vacinação, em que é feito o acompanhamento necessário.

CIPTEA

Em setembro de 2023, o Governo do Tocantins lançou a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA), um documento gratuito instituído pela Lei Federal Romeo Mion n° 13.977, de 8 de janeiro de 2020, e de acordo com o Decreto Estadual n° 6.619, de 24 de abril de 2023. O objetivo é contemplar o cidadão em todas as necessidades, prioridade no atendimento e no acesso aos serviços públicos e privados, especialmente nas áreas de saúde, educação e assistência social. A solicitação pode ser feita no seguinte link: https://sistemas.ati.to.gov.br/ciptea/login.

Programação especial

Alguns pais podem se sentir sozinhos, por isso é importante saber que existem mais famílias que têm as mesmas, ou diferentes inseguranças sobre o Transtorno do Espectro Autista.

Conforme a pasta, para viabilizar o compartilhamento de experiências entre pais e familiares de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins e a Secretaria de Estado da Administração (SECAD-TO) irão realizar o I Encontro de Pais de Autistas do Estado do Tocantins, no Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, 2 de abril. 

A confraternização será gratuita, realizada no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Palmas, e contará com palestras, atendimentos e apresentações culturais.

Dia Mundial do Autismo será celebrado com caminhada em Palmas

No próximo sábado (6) a partir das 7h30, ocorre no Píer 1 da Praia da Graciosa em Palmas a 3ª Caminhada pela Conscientização do Autismo. A 3ª Caminhada é realizada pela Associação de Pais, Amigos e Profissionais dos Autistas do Tocantins – Anjo Azul e ocorrerá em comemoração ao Dia Mundial do Autismo.