O idoso Arnaldo Ferreira de Souza, 73 anos, morreu na noite de domingo (18) após ser baleado por policiais militares chamados para dar apoio ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Nas redes sociais, a sobrinha do idoso, a funcionária pública Sandra Cristina dos Santos, 45 anos, desabafou que o tio foi abordado por cerca de 30 policiais fortemente armados, enquanto estava em surto psicótico devido à esquizofrenia que enfrentava.

O Jornal do Tocantins procurou a Polícia Militar para se manifestar sobre a situação e aguarda retorno.

“Era um pai de família, honesto, honrado, nunca feriu ninguém, nunca fez mal pra ninguém. Chamamos ajuda para levá-lo ao hospital [...] e não ao cemitério como tivemos que fazer ontem (domingo 17)”.

Natural de Itapuranga (GO), Arnaldo era casado e pai de três filhos. Ele morava com a família na quadra 1206 Sul. A família afirma que ele sofria de esquizofrenia há mais de 40 anos e chegou a ficar internado por um tempo.

Família alega falta de preparo e força policial excessiva

Para a sobrinha, faltou preparo da polícia. “Naquele momento [Arnaldo] não respondia pelos seus atos, e quem conhece ou convive com pacientes psiquiátricos sabe do que estou falando, era pra tirar do surto, e não tirar a vida desse homem”.

Sandra questionou a necessidade de tamanha força policial para lidar com um idoso. Segundo ela, ninguém foi feito refém.

“Nós da família estávamos todos no portão, na esperança de receber ele na maca do Samu. [...] se não sabiam como ajudar era só nos dizer, não precisava dar cinco tiros, no coração, crânio e perna, em um idoso que estava com um facão, enquanto tinham pistolas, fuzis, escudo, spray de pimenta, é muita covardia”, desabafou.

Nos últimos dias, Arnaldo teria tido crises, ficava nervoso, mas a sobrinha garante que ele nunca feriu alguém. No dia do ocorrido, ele teria ficado mais agitado. “A família havia escondido objetos que pudessem causar lesão, mas ele tinha esse facão escondido, no início da noite ele pegou o facão entrou pro quarto, ligou o rádio e ficou lá no trancado”, explicou.

Depois, familiares pediram ajuda para levá-lo ao hospital devido a intensidade da crise. “Samu pediu ajuda para a PM, chegou uma viatura com dois policiais, entraram na casa pediram ele pra abrir, ele ficou muito nervoso, como era esperado na condição dele”.

Em poucos minutos, chegaram mais equipes. “Tudo tomado de polícia, muitas viaturas, muitos agentes tropa de choque com escudos,  fuzil parecia filme de ação policial”.

Família alega falta de negociação

“Jogaram gás de pimenta pra ele sair pra encher ele de bala”, disse a sobrinha ao lembrar que não houve preparo ou negociação por parte da polícia.

“O Samu chegou ao local às 19:38 e às 20:01 foi declarado o óbito, eles não deixaram a esposa entrar pra falar com ele, eles não tentaram negociar. Disseram que atiraram em legítima defesa, que não esperava que ele sairia do quarto com o facão em punho, o gás de pimenta foi agravante, pacientes esquizofrênicos não podem ser expostos a esse tipo de coisa”.

Ela também recorda que havia policiais com escudos no local. “Deveriam estar a frente, um facão não ia ultrapassar um escudo,  ele era idoso,  eles o derrubariam”.

A família busca resposta e responsabilização pelas ações que resultaram na morte de Arnaldo. O Jornal do Tocantins abriu espaço para a Polícia Militar e aguarda retorno.