É falso que vespas asiáticas tenham chegado ao País, ao contrário do que afirmam publicações nas redes sociais. No Facebook, multiplicaram-se relatos de aparições do inseto no Nordeste. Especialistas consultados pelo Estadão Verifica garantem que ainda não há registros dessa espécie no território brasileiro. Além disso, as vespas só costumam atacar humanos se forem ameaçadas. Outros boatos falsos sobre “vespas assassinas” têm viralizado online.

O nome científico da espécie é Vespa Mandarinia. Elas são popularmente chamadas de “vespas asiáticas”, devido a sua origem nas regiões temperadas da Ásia, ou de “vespas assassinas“, por seu comportamento agressivo ao se alimentar. São as maiores vespas do mundo e podem chegar a 5 cm de comprimento.

No início de maio, vespas asiáticas foram vistas pela primeira vez nos Estados Unidos, no Estado de Washington. Apesar do pânico criado em torno da aparição do inseto, não foi registrado nenhum ataque contra humanos no país. O biólogo Bruno Corrêa Barbosa, da Universidade Federal de Juiz de Fora, explicou que a vespa encontrada em Washington foi analisada por pesquisadores, que logo foram ao local e destruíram a colônia para evitar problemas e impedir a sua proliferação:  “Até o momento, não foram encontradas novas colônias nos Estados Unidos. Sendo assim, ainda é muito cedo para dizer que a espécie invadiu o país”.


Afinal, vespas gigantes matam?

Em 2013, na China, 41 pessoas foram mortas após uma onda de ataques de vespas asiáticas no país. Recentemente, na Espanha um apicultor morreu depois de ser picado.

De acordo com Corrêa, assim como outros himenópteros (grupo das vespas, abelhas e formigas), as vespas possuem uma ferroada dolorosa. Em casos específicos em que a pessoa apresenta reação alérgica ao veneno, a picada pode sim levar a morte, como acontece com as demais vespas, com abelhas e até formigas.

“No Japão, uma média de 40 pessoas morrem por ano após serem picadas por vespas de várias espécies. No Brasil, cerca de 30 pessoas morrem por picada de abelhas em um ano”, ressaltou o biólogo. “Nem por isso chamamos elas de ‘abelhas assassinas’. Pelo contrário, fazemos campanhas para salvar as abelhas dizendo que elas são nossas amigas”. 

Bruno também explica que a preocupação de pesquisadores e governos sobre essas vespas se dá porque, de forma geral, elas são predadoras de abelhas e podem destruir várias colônias. Por este motivo são chamadas de “vespas assassinas”.

“Como acontece com qualquer organismo invasor, a preocupação maior são os danos à fauna e flora nativas do país”, disse o biólogo. “Em relação à chegada dessa vespa ao Brasil, posso dizer que dificilmente essa espécie se adaptaria, já que temos um clima tropical, ou seja, completamente diferente da sua região de origem, que tem clima temperado. Portanto, a probabilidade dessa vespa invadir o Brasil é baixíssima”. 

Mestre em comportamento e biologia animal da Universidade Federal de Juiz de Fora, Tatiane Tagliatti Maciel também afirma que, além da possibilidade da vespa mandarinia chegar ao Brasil ser muito baixa, elas não são agressivas com o ser humano e só atacam se forem perturbadas.

“Os governos dos EUA e do Canadá contam com a ajuda da população para registrar qualquer avistamento de indivíduos ou colônias dessa espécie, por isso os recados de ‘Se encontrá-las, corra e nos chame!’ ficaram conhecidos na internet e foram usados para causar pânico nas pessoas”, disse ela.

 

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.