Um incêndio numa residência rural na fazenda Novo Sítio, no loteamento Rio Perdida, em Rio Sono, quando o lavrador Avantuir Branco Sousa, 59 anos, que mora no lugar desde 1998, resultou numa liminar da juíza Aline Marinho Bailão Iglesias, da Comarca de Novo Acordo, da semana passada, que proíbe Altamir Alves Bezerra, seu filho, Luiz Antônio Alves Bezerra e sua irmã, Altamires Alves Bezerra, de entrar na propriedade, alvo de disputa judicial. 
 
O imóvel está registrado em cartório no nome de Altamires Bezerra, moradora de Goiânia, irmã de Altamir, ex-presidente do Itertins e ex-prefeito de Lizarda e de Rio Sono, morador da capital. Altamir é pai de Luiz Antônio, juiz de direito, aposentado pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO).
 
O local é moradia de Avantuir Sousa desde 1998 e no dia do incêndio acompanhava a esposa em um tratamento de picada de cobra na cidade de Rio Sono, a 135 km do local.   Segundo a juíza, o lavrador juntou escritura pública e documentos de organizações de saúde e escolar dos filhos para provar a posse do local desde 1998, que levaram a juíza a decidir pela posse do local em favor do lavrador. 
 
Segundo o processo, várias pessoas com armas de fogo invadiram a propriedade e incendiaram a residência, que fica a 135 do centro da cidade. Imagens do local anexadas na ação mostram que o local ficou totalmente destruído. Houve também incêndio no mesmo dia em outra fazenda próxima.
 
O incêndio motivou o lavrador Avantuir Sousa a registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil. No boletim, ele narra que seu filho, Carlos Oliveira Sousa, foi procurado pelo juiz goiano e
ouvido dele para que a família saísse da propriedade. O lavrador então decidiu entrar com a ação – chamada de interdito proibitório -, decidida semana passada pela juíza. 
“A turbação é eminente, ante a ocorrência do incêndio até então plausivelmente criminoso e ainda recente, contando com menos de 1 ano e um dia, conforme boletim de ocorrência juntado aos autos”, afirma Aline Iglesias.
 
Na decisão, com o mandato judicial para que os alvos se abstenham da prática de qualquer ato na fazenda, a juíza fixa uma multa de R$ 100 por dia, até o máximo de 60 dias de multa.
 
O JTo não conseguiu contato com nenhum dos alvos da decisão. Também ligou para o Tribunal de Justiça de Goiás em busca de contato com o juiz e não conseguiu. O espaço está aberto para manifestação.