Não resta dúvida de que a Assembleia Legislativa tem diante de si o dever de reprojetar sua imagem institucional perante a sociedade, após tantas “catarses”. Mas o caminho não é impedir a gravação de imagens por equipes de TV, como ocorreu na tarde desta quinta-feira, 31 de janeiro.

Após a divulgação de mais uma investida dos investigadores da Polícia Civil contra três gabinetes assombrados pelos “fantasmas” seguranças da empresa privada contratada pela Assembleia tocaram o terror contra repórteres e cinegrafistas que foram à Casa do Povo gravar passagem (aquela parte da notícia em que o repórter aparece dando informação) para reportagem sobre a Operação Espectro II.  

O apavoro incluiu intervenção do diretor geral, Antônio Lopes Braga Júnior. 

Não faz sentido a justificativa de que o recrudescimento contra o trabalho da imprensa, tolhendo a liberdade de expressão de um profissional, que também é um cidadão que paga os gastos da Casa do Povo se dê em razão das imagens gravadas por lá quando a Polícia Civil prendeu servidores em pleno expediente. 

Como bem disse o ex-ministro Ayres Britto, em 2011, durante julgamento que liberou uma manifestação popular pela legalização das drogas: “Se me permite o trocadilho, a liberdade de expressão é a maior expressão da liberdade”.