Atualizada dia 31.8 às 17h03

O engenheiro Ronaldo Pereira Lima, responsável técnico da Max Serviços, empresa alvo da Operação ONGs de Papel, da Polícia Civil, que investiga desvio de recursos de emendas parlamentares por meio de empresas “laranjas” e o farmacêutico Iuri Vieira Aguiar, apontado como operador do esquema, estão presos preventivamente desde a quinta-feira, 29.

Os pedidos de prisão de Lima partiu dos delegados de polícia Bruno Sousa Azevedo e Gregory Almeida, que pertenciam à extinta Delegacia de Repressão a Crimes de Maior Potencial contra a Administração Pública (DRACMA) e a do operador, do Ministério Público do Tocantins (MPTO).

Embaraço à investigação

A decisão do juiz da 1ª Vara Criminal de Araguaína Kilber Correia Lopes se fundamenta na acusação de embaraço à investigação envolvendo organização criminosa. O magistrado anota que os dois teriam ameaçado testemunhas que os apontaram como autores de fraudes contra a fazenda pública.

Segundo o juiz, os dois coagiram a testemunha Max Célio Pereira da Silva, por meio de ameaça e extorsão para conseguirem movimentar conta bancária da empresa Max Serviços, que é investigada pela Polícia Civil. 

Coação para acesso bancário

Ronaldo teria forçado a testemunha Max Célio Pereira da Silva a ira até a agência do Bradesco, na Avenida Cônego João Lima, no centro de Araguaína e ali o pressionou a apresentar documentos pessoais e a assinar papéis da senha da conta bancária. De posse disso, o engenheiro obteve uma chave de segurança da gerente da agência e acessou a conta da empresa com um notebook.

Transferência da empresa

O juiz ressalta que Iuri Aguiar, que estava preso, usou de seu advogado Ciy Farney José Shmaltz Caetano e do engenheiro Ronaldo Lima para “tentar manter ou destruir ou mesmo dilapidar os proveitos de suas ações e tendo papel importante”.

Uma irmã da testemunha Célio, também ouvida, relatou à Polícia que o advogado lhe telefonou propondo a manobra de transferir a Max Service para Murilo Vieira Aguiar, irmão de Iuri. Segundo o juiz, para tentar “garantir a perpetuação da atividade ou no mínimo, manter os ganhos já auferidos”.

A testemunha revelou a ameaça e coação quando teria sido pressionado a ir até uma agência do Sicoob para movimentar dinheiro de outra conta da empresa Max Service. Temendo pela vida, delatou a pressão à polícia.

Bloqueio das empresas na Jucetins

Contudo, o juiz negou a aplicação de medidas cautelares contra o advogado, mas determinou bloqueio nos registros comerciais das empresas fantasmas, investigadas na operação, a Max Serviços de Construção Civil e Locações (matriz), a Max Serviços de Construção Civil e Locações (filial) e  a L. A. da Silva Locações de Palcos, Coberturas e Equipamentos para Eventos.

Com o bloqueio, a Jucetins está proibida de qualquer alteração nos registros dessas empresas, usadas para desviar recursos repassados das emendas parlamentares para o Instituto Prosperar – Cultura, Sociedade, Meio Ambiente e Desenvolvimento (IPROS).

178 colaborações investigadas

A Operação ONGs de Papel apura crimes contra a administração pública e organização criminosa, na realização fraudulenta de eventos de interesse público (repasse de verbas públicas) pelo Instituto Prosperar – Cultura, Sociedade, Meio Ambiente e Desenvolvimento (IPROS). A Polícia se debruça sobre 178 termos de colaboração apreendidos na primeira fase, celebrados entre a antiga Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, ciência, Tecnologia, Turismo e Cultura (SEDEN) e o IPROS. 

Empresa não é fantasma e dinheiro é das obras, diz defesa

O advogado Ciy Farney negou que a situação tenha ocorrido como a Polícia diz e o juiz decidiu. Segundo ele, a empresa Max não é fantasma e realiza obras em municípios como Tocantinópolis e Filadélfia sob a responsabilidade do engenheiro Ronaldo Lima.

Segundo o advogado, Lima é cristão, profissional responsável e está preso injustamente, porque só pediu acesso às contas bancárias para efetuar pagamento aos funcionários das obras. Ele diz que o dinheiro recebido pelas obras é do Governo Federal e os recursos movimentados não têm ligação nenhuma com o IPROS, mas foram recebidos em medições de obras concluídas e foram acessados para pagamento de funcionários. 

Segundo ele, como a empresa está no nome do Max Célio ele precisava autorizar essa movimentação para evitar problemas de empregados das obras o acionarem judicialmente cobrando o pagamento. Também disse que a transferência da empresa para o irmão do Iuri busca evitar problemas futuros para Max Célio.

Pressão sobre Iuri

O advogado também se defendeu das acusações de participar de embaraços. Ele cita sua trajetória na advocacia com atuações como assessor de juiz estadual e que sua atuação sempre foi correta e não há fatos desabonadores e jamais participaria do que a Polícia lhe imputa.

Ele afirma que há, na Polícia Civil, a intenção de manter o farmacêutico apontado como operador preso para que ele faça uma delação que possa implicar deputados.

Entenda como o esquema funciona na infografia.