Luiz Armando Costa
 
Poderia ser uma inverdade de 1º de abril. Mas não o é. Como que reproduzindo as idiossincrasias de seus semelhantes nacionais, os políticos do Estado, oposição e situação, se batem nos últimos dias por uma questão em que ambos estariam certos e errados a um só tempo nas suas proposições.
 
Já que as duas correntes de pensamento objetivariam, presumidamente, o bem comum, só o componente eleitoral estabeleceria parâmetros e justificativas para a divisão exposta, que se colocaria restritamente no subjetivo, contra a objetividade das necessidades públicas.
 
A crise da Covid-19 expõe, com efeito, a falta de UTIs e leitos nos 18 hospitais públicos do Estado a exemplo do que ocorre nas demais unidades da Federação. São , no Estado, apenas 131 UTIs dos quais 52 leitos clínicos destinados à Covid-19, para uma população de 1 milhão e 572 mil pessoas. Uma média macabra, para o coronavírus, de um leito para cada lote de 30 mil pessoas. E 223 respiradores. Ou: um respirador para cada grupo de 7 mil pacientes. 
 
Deputados federais, senadores e governo, entretanto, diante desse quadro, se ocupam mais em apontar responsabilidades pretéritas para evitar responsabilizações futuras que exercer suas responsabilidades presentes. E futuro para político com mandato são as urnas. Responsabilidades, estão devendo.
 
Neste contexto, emerge o debate entre o conhecimento do fato e as quais as proposições seriam consequência umas das outras. Os deputados e senadores mandando, legal e legitimamente, verbas de emendas de bancada para a saúde de seus municípios e o governo avaliando que a situação de combate à Covid-19 poderia ser diferente se essas verbas fossem destinadas aos hospitais públicos que administra.
 
Como é perceptível, uma proposição não nega nem elimina a outra. Não é porque os deputados e senadores optassem pelos executivos municipais ao estadual, que estivessem deixando de destinar verbas para a saúde no Estado. 
 
De outro lado, os prefeitos   tem como expediente recorrente, na falta de hospitais municipais, encaminhar seus pacientes aos hospitais de responsabilidade do governo do Estado. Encaminham os doentes, mas ficam com os recursos.
 
De forma que o governo teria razão ao cobrar apoio aos hospitais públicos e os parlamentares no encaminhamento de suas emendas. Na mesma proporção de que estaria errado o Executivo estadual ao apontar uma espécie de falta de comprometimento dos parlamentares com a saúde. E, do mesmo modo, os deputados e senadores, ao deixarem de observar a logística do sistema de saúde pública estadual.
 
O governo tem problemas de financiamento do sistema público de saúde porque algo próximo de 90% dos recursos fica no custeio. Daí que os governos fazem uso dos recursos extras (emendas parlamentares federais) para investimento. E os parlamentares escaldados com o não reconhecimento político do esforço das emendas ou com a indução do conhecimento popular de que fossem esforço apenas do Palácio, reagem.
 
Como a partir do OGU de 2021, deputados e senadores não precisarão mais do governo para operacionalização das emendas, como determina a legislação aprovada, a tendência é, a partir do próximo ano, serem realçadas essas idiossincrasias políticas. Que Deus nos proteja a todos.