Luiz Armando Costa
 
Daqui a quatro dias, a população exercerá suas escolhas. Da mesma forma que os pretendentes aos cargos na disputa terão que necessariamente deixar o modo subjuntivo pelo imperativo. Sair do “se isso fosse feito” para o “fazer isto”. Trocar o desejo pela ordem.
 
O voto popular é ainda tratado como uma espécie de sanção garantidora de preparo para os eleitos. Mesmo que já se saiba de antemão que não é bem assim como o comprovam os inúmeros casos de administrações (e mandatos) malsucedidos e maléficos à população que os confere autoridade.
 
Pode-se enumerar às dezenas os conflitos entre o subjuntivo e o imperativo, o antes e o depois. Bem como a oposição à vontade expressa do eleitorado a cada dois anos no país apontando mudanças que, de modo cíclico, também não lhes altera a forma de vida. E a vida segue outro biênio, mais outro e outro entre uma eleição municipal e estadual.
 
São escolhas nem sempre balizadas em ideias coesas ou unilaterais, com discernimento de detalhes, mas que encontram eco na profundidade do desconhecimento e do fosso social. 
 
Como é o caso da Capital onde algo próximo de 28 mil eleitores (o equivalente a 9% da população e 15% do eleitorado) são analfabetos ou tem o ensino fundamental incompleto. E 57 mil moradores tem uma renda domiciliar per capita situada na faixa de até R$ 17,00 mensais.
 
O morador da cidade, no entanto, é levado há mais de três décadas a conjugar como os candidatos o verbo no subjuntivo. Há avanços, por óbvio, provocados mais pela inércia, mas que não traduziram, na prática, na sua intensidade e alcance, solução para os principais problemas de uma cidade plural. Seja cultural, social como demograficamente.
 
Desde a primeira eleição na cidade, no ano de 92, persistem os bolsões de miséria na periferia. O desemprego combatido em 93 com o emprego dos “oreias secas” – termo pejorativo que se empregou nos operários contratados para cavar as valas dos canos por onde correria a água tratada – continua proporcional ao número de habitantes. 
 
E a pobreza, como na maioria das capitais brasileiras, sobrevivendo na periferia com tudo que isto diga respeito.
 
Como a cada quatro anos se renovam promessas e se repetem as mesmas escolhas, tem-se que isto se daria, numa avaliação superficial, em decorrência dos governos serem tão propensos ao erro quanto os indivíduos.
 
O problema é que, se os indivíduos têm o voto para trocar governos erráticos e reparar seus próprios equívocos de escolha, o sistema não tem a mesma facilidade para que o erro do eleito seja reparado.
 
E que, na administração pública deveria ser, pelo menos, a devolução do produto do equívoco aos cofres públicos. Um incentivo para que os candidatos continuem no subjuntivo e a população perenemente em busca de ações e condutas imperativas.