O contador aposentado do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJ-TO) Mário Ferreira Neto e o empresário Carlos Marconi Paes, condenados pela Justiça Federal por estelionato investigado na Operação Inconfidente, não foram localizados pela reportagem. Contudo, os dois apresentaram suas versões no processo.

Paes alegou ao juiz João Paulo Massami Lameu Abe, da 4ª Vara Federal no Tocantins, que o dinheiro recebido em sua conta era por favores prestados ao contador Mário Ferreira Neto.

O empresário também afirmou que não houve a comprovação do conteúdo das ligações entre ele e os demais acusados, por que se tratava de informações sobre o acompanhamento de ações que corriam na Comarca de Miranorte.

Em outro trecho de sua defesa, Paes afirma que o valor depositado em sua conta corrente foi sacado no mesmo dia pelo contador Mário.

Além disso, defende que não há provas ou indícios de que tenha fabricado os documentos falsificados utilizados para a ação ser ajuizada e classifica as provas produzidas na fase de inquérito como “inservíveis para embasar uma condenação”.

mário

O contador Mário Neto que chegou a ser declarado revel durante o processo, alegou cerceamento de defesa em razão da declaração de revelia e sustentou que as provas de que tenha sido o autor do crime são insuficientes. Também afirma que a acusação do Ministério Público Federal (MPF) não juntou nos processos documentos necessários para a realização da prova pericial.

Por fim, garante que “as provas existentes no processo são indiciárias e não podem servir para a condenação”. Ele foi aposentado pelo TJ-TO anos após a deflagração do caso.

Stalin

Durante o processo, o advogado Stalin Bucar negou conhecer os réus Carlos Paes e Teodoro Braga e não há ligações telefônicas registradas entre ele e os demais acusados. Ele também afirmou que os tramites processuais seguiram sua ordem natural e que não protocolou qualquer petição após a prestação de contas do recebimento do alvará, na qual pediu o arquivamento do processo, quando deixou de acompanhar as intimações.

O advogado também ressaltou que não foi constatada movimentação patrimonial incompatível com os rendimentos recebidos por ele.

Por fim, ressaltou que não sabia que os documentos eram falsos, e que os recebeu de Mário. À época dos crimes, Stalin contava 27 anos de idade e apenas sete meses de carreira como advogado “com pouquíssima experiência, fato que o levou a cometer este equívoco”. (Lailton Costa)