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Renan tenta reeleição pela quarta vez no Senado

Dois dias após o 2º turno da eleição de 2014, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou: “Eu, sinceramente, não sou candidato (à reeleição). Já fui três vezes presidente do Senado Federal, nós estamos concluindo essa obra e essa decisão (sobre candidatura) é uma decisão que ficará para janeiro”. Três meses depois, é considerado favorito para mais um mandato no comando da Casa, em votação marcada para a tarde deste domingo (1º).

Em outubro, Renan era um dos raros senadores do PMDB satisfeitos com as eleições: fez seu primogênito, Renan Filho, governador de Alagoas com apenas 34 anos. Hoje, sai candidato respaldado por mais 14 colegas de bancada contra outro correligionário, Luiz Henrique (SC).

Aliados próximos dizem que o poder de Renan vem de sua capacidade de atender aos pedidos que recebe: desde os mais prosaicos, como um gabinete mais amplo ou uma rampa de acessibilidade, aos mais difíceis, como liderar, no fim do ano passado, a aprovação do projeto que permitiu ao governo flexibilizar o cálculo do superávit primário.

Essa característica rende frutos ao senador, de 59 anos. Do governo, obtém cargos e, se não é atendido, ameaça dificultar a vida do Planalto - no início de janeiro, ele disse a ministros que, se não pudesse fazer indicações para o segundo escalão, o PMDB no Senado deixaria a base para ser “independente”.

Mas o peemedebista não contava com o imponderável. O temor de Renan é que o voto secreto ajude Luiz Henrique. Seria uma ironia para quem foi favorecido pelo dispositivo não só nas três vezes em que foi eleito presidente da Casa, mas principalmente nas duas votações em que poderia ter sido cassado, em 2007, em decorrência da acusação de ter as despesas pessoais pagas por um lobista.

Marcelo Camargo/ABr
Calheiros tem o apoio de seu partido e da base
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