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Mulheres em cena

Projeto #LeiaMulheres promove encontros para reiterar a força da produção literária feminina

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Com o objetivo de incentivar a leitura de obras escritas por mulheres, a escritora britânica Joanna Walsh criou em 2014 a #ReadingWomen, uma ação que começou no Twitter, rompeu barreiras geográficas, ganhou força do mercado editorial e se espalhou por diversas partes do mundo. A ação chegou ao Brasil com a hashtag #LeiaMulheres, através de debates acerca de toda a realidade enfrentada por escritoras que querem seguir a carreira editorial. No Tocantins, o projeto já está em andamento desde o mês de junho, através de clube do livro para se discutir obras previamente escolhidas. Os encontros acontecem uma vez por mês, no Quilombo das Artes, em Gurupi, no Sul do Estado.

O clube conta cinco integrantes fixos, que já participaram dos dois primeiros encontros, e outros interessados. Eles já discutiram Cânticos, de Cecília Meireles, e Poemas dos becos de Goiás, da poetisa Cora Coralina. Hoje, a partir das 17 horas, será realizado um bate-papo sobre Um coração ardente, da paulistana Lygia Fagundes Telles. A obra reúne dez contos que foram publicados por Lygia entre 1958 e 1981. São histórias de homens e mulheres, crianças e adultos flagrados em seus sentimentos mais secretos e em sua relação difícil com a vida à sua volta.

Por ser um espaço democrático, o Leia Mulheres permite a participação de homens, entretanto apenas o público feminino é autorizado a mediar as discussões. “Debatemos o papel da mulher na sociedade e na literatura. Não fazemos uma leitura acadêmica, é mais um bate-papo entre amigos em que cada pessoa expõe sua visão sobre o que leu e ampliamos as ideias”, explica a mediadora Alana Linhares Carvalho, 29 anos, que atua como professora na cidade. Ela conta que conheceu o projeto em 2015, na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), no Rio de Janeiro, e se apaixonou pela iniciativa. “Saí de lá com a ideia na cabeça e com o apoio de alguns amigos consegui implantar o clube em Gurupi”, diz, acrescentando que entrou em contato com as organizadoras do projeto no Brasil para buscar orientações.

O estudante de Teatro Fernando da Silva Oliveira, de 23 anos, é um dos adeptos ao Leia Mulheres e afirma que o amor pela leitura é um diferencial em sua vida. Oliveira também e presidente do Quilombo das Artes, Associação de Artes de Gurupi, local em que o grupo se reúne. “O clube tem pouco tempo em Gurupi e estamos no processo de divulgação para conseguir a cada encontro mais adeptos”, afirma o estudante.

Para atrair novos interessados os gurupienses pretendem promover a leitura de livros de escritoras tocantinenses, inclusive da cidade, como a poetisa Zefinha Louça, Marilde de Almeida Gomes, entre outras. Outro desejo é realizar encontros em comunidades carentes.

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