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Operação Toth: 'O denuncismo virou moda', diz desembargador sob suspeita de vender sentenças

"Não tenho medo de investigação, pode investigar o que quiserem na minha vida", disse Ronaldo Eurípedes durante uma sessão plenária na quinta-feira, 16

Esequias Araújo

Alvo principal da Operação Toth, que investiga suposto esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça do Tocantins, o desembargador Ronaldo Eurípedes, ex-presidente da Corte, se defendeu por cerca de 10 minutos durante uma sessão plenária na quinta-feira, 16. O magistrado é suspeito de vender, por R$ 300 mil, decisão favorável a um suspeito de ser o mandante de quádruplo homicídio e também de enriquecimento ilícito.

"Não tenho medo de investigação, pode investigar o que quiserem na minha vida. A minha vida está aberta para todo mundo que tiver alguma denúncia a fazer a meu respeito. Eu imploro a cada um que leve e faça, o momento é agora. Vá lá e faça. Sabe de algum comportamento errado tomado pelo desembargador Ronaldo Eurípedes? Vá lá e diga. O momento é esse", declarou Ronaldo Eurípedes, que dirigiu o Tribunal entre 1º de fevereiro de 2015 e 1º de fevereiro de 2017.

E acrescentou: "Avisa, aproveite que nós estamos vivendo um momento em que o denuncismo virou moda. Eu quero me colocar à disposição de toda a sociedade do Tocantins para poder… como já me coloquei à disposição ontem da Polícia Federal, já me coloquei… vou a Brasília fazer uma visita lá e me colocar em outras situações também à disposição de tudo. Porque eu não tenho receio disso, nenhum. Meu receio com relação a isso aí é zero, porque minha atitude com relação a isso sempre foi ilibada, eu sou um pai de família que tem muita fé em Deus e pratico aquilo que eu digo."

Endereços ligados a Eurípedes e seu gabinete do TJ foram vasculhados pela Polícia Federal na quarta-feira, 15. Os mandados judiciais foram ordenados pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (SRJ).

No plenário do Tribunal, Eurípedes ligou a investigação contra si a um suposto caso de extorsão envolvendo um ex-funcionário da Corte, Heráclito Botelho, em 2015, no início de seu mandato como presidente do Tribunal.

Em depoimento à Operação Toth, Botelho "dissecou um amplo conjunto de evidências que revela o possível cometimento de fatos ilícitos pelo desembargador Ronaldo Eurípedes de Souza".

"Essas pessoas a gente não sabe até onde vai a maldade humana. Você não pode, tem determinado tipo de gente que você não sabe a atitude que ela vai ter em relação a você", disse o desembargador sobre o ex-funcionário.

Após o discurso do desembargador sob suspeita, o atual presidente do Tribunal Eurípedes do Carmo Lamounier fez uma breve declaração. "Aguardamos um pronunciamento da Justiça e que o sr tenha êxito na sua defesa. Os embates são duros."

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