As sanções econômicas e políticas impostas ao Brasil pelo presidente americano Donald Trump instauram o pior momento nas relações diplomáticas entre os países desde a ditadura militar brasileira, afirmam especialistas. Adotando a perspectiva da política interna, a capacidade de negociação do presidente Lula mostrará se o governo vai conseguir manter o ambiente favorável até as eleições, com a retórica da soberania nacional. Ao mesmo tempo, os efeitos econômicos e a intransigência de Trump podem deixar o Planalto em uma situação delicada. Nesse cenário, a insatisfação popular só aumentaria. Professor de ciência política da USP (Universidade de São Paulo), José Álvaro Moisés diz que a opção de Lula por negociar está de acordo com seu perfil conciliador. "Se existe um debate hoje sobre ligar ou não ligar para Trump, isso mostra que Lula vai querer negociar. Mas ele vai querer discutir nos termos dele, e não se deixar humilhar como ocorreu com Zelenski", afirma Moisés, referindo-se ao bate-boca entre o presidente dos EUA e o líder da Ucrânia, em Washington, no início do ano.