Enquanto Donald Trump classifica as facções CV e PCC como terroristas, a milícia (grupo de policiais, ex-policiais e ex-militares) ganha campo silenciosamente no Rio de Janeiro – e em outras capitais. A que domina Itaguaí, região metropolitana, continua expandindo na extorsão por novos “serviços” e venda de mercadorias, contam fontes moradores. Acredite, leitor, a novidade é a compra (obrigatória) de lâminas de barbear por donos de salões de beleza e barbeiros. Além do já tradicional carvão para mercados e barracas de “churrasquinho”. Os barbeiros que compravam o pacote de lâminas a R$ 22 agora pagam R$ 40 para os milicianos, com produto inferior, e taxa semanal de R$ 60 para terem o direito de abrir as portas. Outro segmento explorado é botijão de gás. Comprado a R$ 90 no comércio legal, o morador de Itaguaí – e de outras comunidades dominadas pela milícia – é obrigado a pagar R$ 140 aos criminosos. Não bastasse isso, a bala voa na região. Há 15 dias, milicianos rivais (Seropédica/Nova Iguaçu) invadiram Itaguaí, mataram oito integrantes da facção local e levaram os corpos.