O Brasil é um verdadeiro paraíso para a especulação financeira e para a criação de narrativas falsas sobre como se obtém prosperidade e riqueza. A taxa básica brasileira, em torno de 15% ao ano, é cerca de três a quatro vezes maior que a norte-americana e várias vezes superior à europeia. Quando se considera o juro real, o Brasil figura, de forma recorrente, entre os países com os maiores juros reais do planeta. Apenas para citar um entre vários efeitos dessa lógica perversa: o cidadão comum não pode atrasar sequer uma fatura do cartão de crédito sem ser lançado em uma bola de neve financeira da qual é extremamente difícil sair, já que as taxas de refinanciamento do saldo ultrapassam 400% ao ano. O pensamento econômico neoliberal, incluindo seus modernos falsos profetas financistas, insiste em colocar que as elevadas taxas de juros da economia são em virtude do desequilíbrio fiscal dos governos a partir de seus elevados gastos sociais. Óbvio que manter as contas públicas em ordem seja condição necessária para a estabilidade macroeconômica, sobretudo pelos seus efeitos sobre inflação, juros, investimento e crescimento. Mas a origem principal do desequilíbrio é outra: a hegemonia histórica do rentismo financeiro na economia brasileira.