Após 25 anos de negociações, a aprovação do acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul representa muito mais do que a criação da maior zona global de livre comércio: é um sinal político e econômico poderoso de que, mesmo em um mundo marcado por tensões geopolíticas, protecionismo e nacionalismos econômicos, o comércio internacional continua sendo visto como um caminho racional para o desenvolvimento. Como bem resumiu a jornalista Míriam Leitão, “o acordo é um sinal de que o mundo quer mais comércio” — e essa mensagem não poderia ser mais atual. Desde o século XVIII, Adam Smith já defendia, em A Riqueza das Nações, que a prosperidade surge quando os países se especializam naquilo que produzem com maior eficiência e trocam livremente entre si. Para Smith, o livre mercado, guiado pela “mão invisível”, aloca recursos de forma mais eficiente do que sistemas fechados e excessivamente regulados. O acordo UE–Mercosul dialoga diretamente com esse princípio ao reduzir tarifas, eliminar barreiras e ampliar o acesso a mercados para bens agrícolas, industriais e serviços.