Há amizades que não começam com discursos nem fotografias oficiais. Nascem devagar, entre uma conversa e outra, quase sem que se perceba. Assim foi a minha com o doutor Nidion Albernaz. Conheci-o no Clube do Ministério Público. Ele frequentava o espaço como procurador; eu, como filho de uma procuradora. O ambiente era formal, mas nossas conversas jamais foram. Sentávamos à mesma mesa e, sem protocolo, falávamos de tudo. Economia, política, literatura, os dilemas do Brasil, as contradições do nosso tempo. Eu o ouvia com atenção — mais aluno do que interlocutor. E aprendi. Aprendi muito. Sua fala tinha firmeza técnica, mas não tinha vaidade. Era culto sem ostentação, preciso sem ser árido. Uma combinação rara: erudição e simplicidade. Recordo-me de como analisava os fatos públicos com serenidade, sem perder a dimensão ética. Falava das instituições como quem conhece suas engrenagens por dentro. Não era apenas um operador do Direito. Era um administrador de mão cheia. Mostrou isso na diretoria de Justiça, na condução responsável de seus negócios particulares e, sobretudo, quando exerceu o cargo de Procurador-Geral de Justiça no período em que a estrutura institucional alcançava Goiás e Tocantins. Sabia que administrar é mais do que decidir: é dar exemplo.