Há realidades que desafiam qualquer tentativa de compreensão. Não pela falta de dados, eles existem, mas pela dificuldade de aceitarmos que, em pleno século XXI, ainda há crianças lutando diariamente para sobreviver por falta de algo tão essencial quanto alimento. No Sul de Madagascar, essa não é uma exceção. É rotina. Nos centros nutricionais da Fraternidade Sem Fronteiras (FSF), crianças entre um e cinco anos chegam todos os dias em estado severo de desnutrição. Algumas delas, com apenas um ano de idade, pesam menos de três quilos. Corpos frágeis, olhares silenciosos e uma urgência que não pode esperar. A média é de 15 novas crianças por dia buscando atendimento. Não há fila organizada, nem sistema de agendamento. Há presença. Há insistência. Há famílias que caminham até onde podem, todos os dias, na esperança de encontrar cuidado para seus filhos.