Visitei Paris pela primeira vez nos anos 1990. Desde então, nunca mais consegui me afastar espiritualmente da cidade. Volto a Paris praticamente a cada dois ou três anos, como quem retorna a um lugar íntimo da alma. Esta já é minha décima temporada parisiense — e, curiosamente, cada reencontro produz em mim a mesma emoção da primeira visita. Paris possui algo raro: ela não se limita a ser apenas uma cidade turística. Ela produz sensibilidade. Produz imaginação. Produz cultura em escala universal. Caminhar por Paris é conviver permanentemente com a memória de grandes intelectuais, artistas e escritores que ajudaram a moldar a civilização ocidental. Ao percorrer suas ruas, lembro-me de Voltaire, de Michel de Montaigne, de Pablo Picasso, de tantos escritores, filósofos e artistas que encontraram na cidade um ambiente favorável para criar, pensar e desafiar o mundo. Paris sempre foi um território onde a inteligência humana encontrou liberdade para florescer.