No fim do século XIX o pensador (filósofo, sociólogo, psicólogo e antropólogo) britânico Herbert Spencer, na obra intitulada Princípios da Sociologia, desenvolveu a ideia de que a sociedade se orienta como um organismo, ou seja, ela cresce de maneira estruturada e com funções de seus atores sociais bem definidas, com interdependência de suas partes constitutivas, com a presença de sistemas reguladores, distributivos e em constante evolução. Analisando o pensamento de Spencer é possível traçar uma analogia com um mal que insiste em crescer como um organismo no norte do Brasil: as organizações criminosas. Estudo do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) intitulado Crimes ambientais na Amazônia legal: a atuação da Justiça nas cadeias de lavagens de bens e capitais, corrupção e organização criminosa, datado de 2024, informa que o Norte do Brasil testemunha uma escalada assustadora das facções criminosas de projeção nacional e regional, surgidas, sobretudo, nas regiões sudeste e nordeste consolidaram sua presença agressivamente na região da Amazônia Legal, na qual também faz parte o Estado do Tocantins. Esses grupos, percebendo a precariedade do aparato estatal de fiscalização e combate aos crimes ambientais transformaram a vasta floresta em um campo de batalha por territórios e rotas e em um laboratório para novas modalidades criminosas, expandindo seu domínio e influência sobre comunidades e na exploração de riquezas naturais.