O Brasil insiste em tratar o crime organizado como caso de polícia. É um erro. Trata-se, antes de tudo, de um problema econômico — e de um sintoma de falha institucional. Os números são eloquentes. Estimativas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que o custo da violência no país supera R$ 500 bilhões por ano, algo próximo de 5% do PIB. Em paralelo, mercados ilegais — especialmente o de drogas — movimentam dezenas de bilhões de reais anualmente. Não se trata de marginalidade: trata-se de uma economia paralela robusta, lucrativa e resiliente. A teoria econômica explica por quê. Como mostraram Thomas Schelling, James Buchanan e Gary Becker, o crime responde a incentivos. Criminosos não são irracionais. Calculam. Avaliam riscos, retornos e probabilidades. Onde o retorno esperado é alto e a punição improvável, o crime não apenas surge — ele prospera.