A globalização mudou o destino dos jogadores brasileiros. Antigamente, o jovem craque nascia no clube, crescia nele, conquistava títulos, virava ídolo e só depois, quando muito, pensava em sair. Hoje, muitos adolescentes mal aparecem no time principal e já são vendidos para clubes ricos da Europa. Não amadurecem diante de sua torcida. Não criam raízes. Não se tornam personagens duradouros da história dos clubes que os revelaram. O caso de Endrick simboliza esse novo tempo. Ainda muito jovem, já foi levado para o centro do futebol europeu por valores altíssimos. É, sem dúvida, um talento extraordinário. Mas sua trajetória mostra como o futebol brasileiro perdeu a capacidade de reter seus grandes jogadores. O menino que antes encantaria o torcedor durante muitos anos parte cedo, levado por contratos milionários, empresários, patrocinadores e clubes poderosos.