Poucos dias após o encerramento da COP30 - conferência que recolocou o Brasil no centro do debate global sobre clima, sustentabilidade e desenvolvimento responsável - o país foi surpreendido pela decisão do Congresso Nacional de derrubar a maior parte dos vetos presidenciais ao projeto de lei do licenciamento ambiental. A flexibilização, agora presente na legislação, enfraquece a capacidade do país de monitorar empreendimentos com potencial impacto ao meio ambiente. A reintegração desses trechos provocou críticas de especialistas, que veem na decisão um sinal de retrocesso ambiental, em contraste com os compromissos e expectativas reafirmados pelo Brasil no âmbito da COP30. Os cientistas também saíram da COP30 com um sentimento de enorme preocupação, principalmente após o lançamento pelo PNUMA do “Relatório sobre a Lacuna de Emissões” de 2025, intitulado "Fora da Meta". O documento conclui que os compromissos climáticos atuais representados pelas NDCs (compromissos voluntários assumidos por países no Acordo de Paris), mesmo que totalmente implementados, ainda assim devem levar a um aquecimento global de 2,3 a 2,5 °C neste século. Com isso, a ambição para que a temperatura não ultrapasse 1,5°C vai requerer que as emissões globais sejam reduzidas em 55% em relação aos níveis de 2019 até 2035.