A cada ciclo eleitoral, repete-se o mesmo roteiro. Policiais se lançam candidatos, carregando no discurso a promessa de representar a categoria, de defender quem vive a dureza da rotina e conhece, por dentro, os problemas do ofício. Falam em compromisso, em lealdade, em mudança. Durante a campanha, são atentos, acessíveis, quase fraternos. Depois da eleição, tornam-se outra coisa. No período de pedidos de voto, escutam com paciência as queixas antigas: salários corroídos, jornadas exaustivas, falta de pessoal, estruturas decadentes. Concordam com tudo, indignam-se com todos os abusos. Falam alto, adotam tom firme, vendem a imagem de quem não teme o poder. Parecem gigantes. Mas, uma vez instalados nos cargos, encolhem. O discurso se suaviza, a indignação desaparece, a coragem cede lugar à conveniência. Aqueles que prometeram defender os trabalhadores passam a votar contra seus interesses, alinhando-se docilmente ao chefe do Executivo. O tigre do palanque vira um felino manso, domesticado pelas benesses do poder.