A década de 1960 representou um dos períodos mais intensos de reflexão e afirmação intelectual da América Latina. Naquele momento, o continente buscava compreender as razões de seu atraso econômico ao mesmo tempo em que conquistava projeção internacional inédita no campo da literatura. O pensamento desenvolvimentista e o chamado boom latino-americano não surgiram de forma isolada. Ambos foram respostas complementares a um mesmo desafio histórico: explicar a condição latino-americana e construir caminhos próprios de transformação. No plano econômico, esse debate ganhou corpo institucional com a atuação da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, criada em 1948 no âmbito das Nações Unidas. A CEPAL tornou-se o principal centro de formulação de uma crítica ao liberalismo econômico tradicional, que defendia a integração passiva das economias periféricas ao comércio internacional. Sob a liderança do economista argentino Raúl Prebisch, consolidou-se a ideia de que o subdesenvolvimento não era uma etapa transitória do progresso, mas resultado de uma estrutura internacional desigual, marcada pela relação assimétrica entre países centrais e periféricos.