Quando a dor do outro vira entretenimento, corremos um grande risco de perder a qualidade que nos diferencia de outros animais que habitam este planeta: a consciência moral. Quando nos tornamos alheios à dor do outro como resultado da falta de empatia como base da moralidade humana, corremos o risco de perder a civilidade, porque simplesmente deixamos de reconhecer o outro como sujeito de dignidade, e, quando isso acontece, essa dor alheia passa apenas a ser um sentimento de “não é problema meu”. Eu demorei muito a escrever este texto. Passei meu carnaval curtindo da melhor forma, no conforto da minha casa, longe de toda e qualquer notícia do mundo exterior, o que não foi suficiente para me privar de tomar conhecimento de um caso digno de estudo profundo sobre os sintomas da escassez de valores morais e éticos em uma sociedade, sociedade essa que beira o abismo da barbárie humana. E, por tamanha perversidade no tema, na história e no seu desenrolar, eu demorei para escrever, pois me neguei a acreditar que isso fosse possível de acontecer em pleno século XXI.