Quando se pensa em saúde infantil, o foco imediato costuma recair sobre doenças físicas e transtornos do desenvolvimento, e isso é fundamental. No entanto, há outra dimensão da saúde infantojuvenil que merece a mesma atenção clínica: a avaliação precoce das altas habilidades/superdotação e suas repercussões no bem-estar emocional, comportamental e relacional. Tratar a superdotação apenas como uma questão escolar é subestimar seu impacto sobre a saúde mental e ignorar o papel central da avaliação neuropsicológica na promoção de trajetórias mais saudáveis. É importante esclarecer um ponto essencial: a superdotação não é um diagnóstico, tampouco uma doença ou transtorno. Trata-se de uma condição neurobiológica, um modo específico de funcionamento cerebral, marcado por um desempenho cognitivo acima da média em uma ou mais áreas. Não existe um código diagnóstico para a superdotação, e o foco clínico não deve estar em “diagnosticá-la”, mas em realizar uma avaliação cuidadosa que identifique como esse cérebro funciona, quais são suas potencialidades e, sobretudo, quais sintomas associados podem estar presentes.