Por muito tempo, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) foi envolto em silêncio. Não porque não existisse, mas porque não era visto, nomeado ou compreendido. Hoje, vivemos um momento histórico: o autismo deixou de ser invisível e passou a ocupar espaços sociais, científicos e políticos. E esse movimento exige algo fundamental — escuta. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em 2025 a partir do Censo 2022, revelaram, pela primeira vez na história do país, o número oficial de pessoas com diagnóstico de autismo: cerca de 2,4 milhões de brasileiros, o equivalente a 1,2% da população. Esse número, embora expressivo, não representa a totalidade. Ele retrata apenas os casos diagnosticados — e sabemos que ainda há um contingente significativo de pessoas sem diagnóstico, especialmente adultos.