Desde Euclides, o círculo nos intriga. Uma forma simples, perfeita, sem início nem fim, e talvez seja justamente essa ausência de fronteiras que nos seduz. No círculo, tudo retorna. E é curioso que, apesar de vivermos cercados por calendários, alarmes e planejamentos, ainda sejamos criaturas que dependem dessa lógica do retorno para continuar existindo. O primeiro salto simbólico do círculo ocorreu quando ele ganhou movimento. A roda, invenção que alterou para sempre o rumo da humanidade e é, antes de tudo, um círculo que decidiu sair do papel. Ela não representa só deslocamento; representa uma transformação na maneira como interpretamos o tempo. A roda ensina, silenciosamente, que a vida acontece porque gira. Nada avança de forma linear. Nada segue uma flecha impecável. Vivemos em um fluxo circular que repete, ajusta, tenta de novo.