Só fui entender de fato a riqueza da Irlanda na produção de grandes nomes da literatura mundial no momento em que eu e minha esposa entramos na biblioteca do famoso Trinity College Dublin. A biblioteca, construída em estilo clássico, encanta os amantes da excelente literatura que a Irlanda produziu — e ainda produz — para a humanidade. A Long Room, com seus arcos solenes, estantes intermináveis e volumes que atravessam séculos, parece condensar um espírito nacional: o de um pequeno país que, paradoxalmente, falou ao mundo inteiro por meio da palavra escrita. A partir dessa experiência quase iniciática, torna-se inevitável refletir sobre a universalidade da literatura irlandesa. Universal não porque dilua suas raízes, mas justamente porque, ao mergulhar profundamente na condição humana — seus dilemas morais, suas contradições, suas angústias e esperanças —, ultrapassa fronteiras culturais, linguísticas e temporais.