O mundo despertou nesta semana diante de uma notícia rara: depois de 144 anos em obras, a Sagrada Família enfim tocou o céu. Na quarta-feira, 10 de junho, em Barcelona, o Papa Leão XIV abençoou a Torre de Jesus Cristo, a última e mais alta do templo: 172,5 metros que fizeram dela a igreja mais alta do mundo. A cruz que a coroa se acendeu naquela noite e assim seguirá, brilhando, todas as noites sobre a cidade. Confesso que, de tanto imaginar esse momento, meus pensamentos transbordaram para o sono: esta semana, cheguei a sonhar com a inauguração da Torre de Cristo. Na minha mente, o brilho daquela cruz não apenas iluminava Barcelona, mas costurava, finalmente, o céu à terra, como se a própria eternidade estivesse celebrando o fim da espera. Já estive em Barcelona algumas vezes e, em cada viagem, fiz questão de voltar àquele canteiro como quem visita um parente, só para medir o quanto a igreja havia crescido desde a última vez. Vi o pó, os andaimes, os guindastes pairando sobre torres pela metade. Guardei aquilo como quem guarda uma promessa. Agora, vê-la concluída lá no alto, com a cruz acesa, é uma alegria que não cabe direito no peito.