Espera-se, muitas vezes, que mulheres que se dedicam à aplicação da lei, e que buscam igualdade e ascensão profissional na segurança pública e no sistema de Justiça, saibam, no mínimo, se defender. Essa expectativa, porém, parte de uma lógica falaciosa. O diploma, o distintivo ou a toga não tornam essas mulheres imunes ao assédio moral, ao assédio sexual ou à violência doméstica. Paradoxalmente, muitas vezes esses símbolos de autoridade fazem com que elas temam ainda mais denunciar e buscar a proteção da própria lei que ajudam a aplicar. Romper o silêncio, seja dentro de casa ou nas instituições, exige um cálculo perverso: preservar a própria imagem profissional ou denunciar a violência. Isso não é ficção! É uma realidade presente na vida de profissionais da segurança pública, juízas, promotoras, defensoras, advogadas e tantas outras mulheres do Direito que se tornam vítimas.