Quanto uma economia deve poupar — e a que custo para o presente? A pergunta é antiga, mas segue atual. Nos anos 1950, os Estados Unidos já se inquietavam com o crescimento soviético, sustentado por altas taxas de poupança. A resposta teórica viria em 1961, quando Edmund S. Phelps formulou a chamada Regra de Ouro: existe um nível de poupança que maximiza o consumo ao longo do tempo. No modelo de Robert Solow, esse ponto ocorre quando o retorno do capital, líquido de depreciação, acompanha o crescimento da economia. Poupar pouco compromete o investimento e o crescimento. Poupar demais reduz o consumo presente sem ganhos proporcionais no futuro. Entre esses extremos, há um equilíbrio — e fora dele há perda de bem-estar. O problema é que economias reais raramente operam nesse ponto. O Brasil é um caso claro. A baixa taxa de poupança, combinada a investimento instável, limita a acumulação de capital e ajuda a explicar o crescimento modesto nas últimas décadas.