Recém-chegado a Brasília, o embaixador palestino Marwan Jebril Burini espera contar com o apoio do governo brasileiro para enfrentar seus desafios diplomáticos. Entre eles está o Conselho de Paz proposto pelos Estados Unidos para discutir o futuro da Faixa de Gaza. O controverso grupo, que deve se reunir em Washington pela primeira vez nesta quinta (19), não inclui palestinos no alto escalão. Burini, 63, diz que seu governo viu com bons olhos o fato de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutiu o assunto com Donald Trump, chamando a atenção do americano para a ausência de representantes da Palestina. "Fomos excluídos, como Lula disse a Trump, e precisamos estar ali", afirma à Folha. "Somos nós que temos que resolver os problemas do nosso povo", diz. Por ora, as autoridades palestinas em Ramallah enxergam com ceticismo a criação do Conselho de Paz. Fará parte do grupo o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu, que Burini descreve como "um criminoso de guerra que matou mais de 70 mil pessoas", referindo-se à campanha militar de Tel Aviv em Gaza.