O artista goiano Rafael Chaves, de 30 anos, transformou o diagnóstico de uma doença rara e progressiva em combustível para sua arte. Conhecido pelo trabalho com bordados, ele ocupa um espaço na CasaCor Goiás 2026, onde expõe peças produzidas para arrecadar recursos a instituições de apoio. A trajetória de Rafael é marcada pela ataxia espinocerebelar tipo 3 (SCA3), condição que ele já conhecia bem antes de sentir os próprios sintomas. Rafael acompanhou de perto a evolução da doença no corpo da mãe, presenciando a perda gradual da autonomia e da coordenação motora. Em 2022, ele começou a apresentar os primeiros sinais, como desequilíbrio e visão dupla, mas a confirmação oficial só veio em 2025. “Eu tive apenas dois dias de luto”, relata o artista, que decidiu não permitir que a condição definisse sua existência. A participação na mostra de arquitetura ocorreu a convite da arquiteta Mariana Carvalho, amiga de longa data. Mesmo com o avanço da SCA3, Rafael mantém o foco no amanhã: “Talvez executar seja mais difícil, mas eu nunca vou deixar de fazer planos”.