Nunca aprendi a existir pela metade. Meu jeito pede mergulho, presença inteira, palavra dita com o corpo junto. Superfície não me abriga. Há quem escolha a borda para não se molhar. Eu entro, mesmo quando a água assusta. Essa entrega costuma ganhar rótulo de fraqueza. Discordo em silêncio. Coragem mora no sentir. Indiferença parece armadura, mas pesa mais do que confissão. Quem se permite emoção sustenta o impacto e segue de pé. Talvez por isso o amor me atravesse com tanta facilidade. Não como promessa, mas como estado de espírito, quase um modo de existir. Amor, só porque surge vontade de dizer. A mor. Palavra simples, quase frágil, com delicadeza que engana. O sentimento machuca quando falta reciprocidade ou quando expectativas viram fardo emocional. Ainda assim, amar insiste. Amar a vida, não apenas alguém. Amar o todo, a existência, até o nada, como se sentir também pedisse fé.