Alguns nomes atravessam gerações como se fossem estruturas invisíveis. Sustentam sem que se perceba o esforço. Eu assino Raphael Pontes por escolha. Não por estética, não por estratégia. Assino porque ali aprendi o que permanece quando o resto desaba. Eu era uma criança quando meu pai saiu de casa. Não lembro a idade exata, mas lembro do vazio que ficou. Minha mãe ocupou o espaço inteiro, virou sustento, direção, coragem diária. Passamos dificuldade de verdade, contas que não fechavam, incertezas que não davam trégua, dias em que o futuro parecia sempre adiado. Enquanto o país trocava moedas e tentava aprender estabilidade, a nossa vinha na base da resistência. Crescemos entre o Cruzeiro, o Cruzado e o Real, entre cadernos fiados e contas anotadas à mão. O país trocou de moeda e, quase ao mesmo tempo, trocou de ritmo. As tecnologias de comunicação encurtaram distâncias e aceleraram expectativas. As conversas começaram a caber em telas e o tempo ficou mais impaciente. Trabalhei cedo, vendi o que apareceu, aprendi que responsabilidade não combina com espera. Quase todos os meus irmãos escolheram carregar o sobrenome dela, não como gesto simbólico, mas como reconhecimento silencioso de quem ficou.