Em tempos de Oscar, é comum que a pergunta sobre um filme se reduza a verbos simples: ganhou ou perdeu? A lógica das premiações muitas vezes transforma obras complexas em uma espécie de placar simbólico, como se a potência de um filme pudesse ser medida apenas por uma estatueta que se leva para casa. No caso do longa-metragem brasileiro dirigido pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho, “O Agente Secreto”, essas sejam justamente as perguntas menos interessantes. Independentemente do resultado em uma cerimônia específica, o filme já conquistou algo que poucas produções mundiais conseguem: reconhecimento internacional consistente. Com mais de 70 prêmios acumulados em festivais e circuitos de cinema ao redor do mundo, a obra já se inscreveu no cenário cinematográfico global como uma produção inquietante, potente e profundamente marcada por seu tempo. O Oscar, quando vem, celebra. Quando não vem, não diminui a força de um filme que já encontrou eco em plateias, críticos e curadorias internacionais.