Enquanto chove lá fora, aqui dentro de casa as bacias e panelas começam a fazer barulho. Pega de cá, abre porta de lá e, quando menos se espera, tudo está em cima da mesa. Panela, bacia, três ovos, polvilho doce, um pouco de açúcar, queijo e óleo. A cozinha, caso não saiba, é pequena, mas as mãos que apertam a massa são grandes e trazem, junto ao bate-bate, as boas lembranças de uma receita passada de geração em geração. Aí tudo se mistura ao óleo frio. Mãe sempre disse que esse é um dos grandes segredos. Era massa jogada no óleo, estalando, borbulhando, queimando por fora enquanto por dentro ainda tentava ficar macio. A gente comia sem pensar muito — talvez porque algumas coisas só funcionem mesmo sem muito pensamento. Entre passos e vozes Os saudosos 30 anos Acabou-se o domingo! Sentada à mesa, o café já coado se mistura às histórias de como comíamos juntos aqui no Tocantins ou no Goiás. Era na mesa de madeira, no alpendre da casa do vô, na área da casa da tia ou na mochila, quando as boas comidas se juntavam à rotina de gente grande.