Vivemos cercados por olhares. Muitos carregam julgamento e impaciência, outros chegam de mansinho, quase tímidos, com alguma ternura ainda possível. Há dias em que esses olhares acolhem. Em outros, apertam o peito e pedem resistência. A vida parece mais pesada para quem se prende a regras invisíveis, normas não escritas e expectativas alheias. Cada pessoa aprende a existir de um jeito, moldada por histórias, faltas e tentativas. O certo e o errado mudam conforme o chão onde se pisa e o espelho que se escolhe encarar. Você se olha no espelho perguntou a jovem ao namorado. A frase veio acompanhada de rótulos e da impaciência acumulada. Desleixado, desorganizado, disse ela antes que o silêncio anunciasse o fim. Algumas despedidas chegam assim, sem ensaio e sem retorno. Cada um corrige como sabe, com cuidado ou com dureza. Os sinais aparecem o tempo todo, embora raramente venham claros. Espera se que o outro entenda, mude, se ajuste, quase sempre sem perceber o peso dessa cobrança.