A desembargadora Maysa Vendramini Rosal concedeu entrevista para o JTO um dia após a polêmica sessão do Tribunal Pleno do Tribunal de Justiça que, numa manobra de bastidores, escolhe para presidente do TJ o desembargador João Rigo Guimarães, eleito desembargador em 2015, um ano depois da desembargadora, e a preteriu.
 
“A corte, em desarmonia, rompe, o ciclo de prestígio e respeito, deixando de promover pacificamente essa desembargadora, na alternância no exercício do poder, como membro mais antiga, não respeitando a tradição de mais de 20 anos”, disse ainda durante a sessão, ao externar seu descontentamento com a “falta de coragem” de parte do Tribunal Pleno em “honrar suas palavras”.
 
Maysa chegou a ser rebatida pelo presidente do TJTO, desembargador Helvécio Maia, de que já havia precedentes, como a eleição de Amado Cilton, Daniel Negry, entre outros.  Nesta entrevista, a desembargadora comenta esse ponto e outros aspectos da polêmica eleição. 

Solidariedade recebida

Aceitei o convite da imprensa para dar essa entrevista porque entendo ser importante esclarecer para a sociedade os fatos que equivocadamente foram mencionados na sessão do Tribunal de Justiça e, em especial, para aqueles que continuam me prestando solidariedade através de centenas de mensagens de apoio que venho recebendo, tanto de colegas do próprio Judiciário, como dos membros do Ministério Público e outros seguimentos da sociedade tocantinense.
 

Sobre eleições passadas de membros com menos tempos

Inicio informando os equívocos cometidos por sua Excelência o presidente do TJ quando afirmou que o procedimento adotado na sessão de escolha já havia ocorrido anteriormente por ocasião da disputa ao mesmo cargo pelos Desembargadores Amado Cilton Rosa, João Alves da Costa, Marco Anthony e Daniel Negry. Nesse particular a fala dele diverge dos fatos verdadeiros. Quanto ao Desembargador Amado Cilton, ele não foi eleito porque era inelegível a época; não podia se candidatar ao cargo de presidente do TJ.
 

Casos de renúncias para honrar a tradição

Já com relação aos demais desembargadores (João Alves e Marco Anthony), eles foram eleitos porque, em respeito à tradição do próprio Tribunal de Justiça, os demais membros elegíveis renunciaram à candidatura. No que diz respeito ao Desembargador Daniel Negry, este foi eleito justamente por ser o mais votado, em respeito à sua antiguidade e à tradição do TJ.
 

Como vê analisa a não eleição

No meu caso específico, como membro elegível mais antigo, fiquei surpresa porque a Corte colocou de lado a tradição de mais de 30 anos sem que sequer me fosse explicado o motivo desse descompasso, já que minha carreira sempre foi pautada pelo trabalho sério, digno, dirigido pela ética e pela honradez, preocupada com o jurisdicionado e com a prestação jurisdicional justa e célere. Assim permanecerá!

Consequência do machismo

Como mulher, e membro integrante da mais alta corte do Poder Judiciário Tocantinense, registro o meu sentimento de que não fui prestigiada, demonstrando o que ainda estamos a suportar dentro do processo, pesquisas demonstram que mulheres ainda estão em desvantagem na disputa por cargos de liderança.

Sobre o futuro

Por fim, continuo tranquila, e consciente que devo trilhar os mesmos caminhos que dantes, pois assumi um compromisso com o Poder Judiciário e a sociedade tocantinense de bem servi-los, quando fui promovida, por antiguidade, ao cargo de desembargadora.
 
 
Nota de esclarecimento do Tribunal de Justiça
“Sobre a eleição da Mesa Diretora do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins, realizada em sessão plenária nesta quinta-feira (1/10), esclarecemos que a votação foi um ato democrático e que seguiu rigorosamente o que determina o Regimento Interno deste Poder e a Lei Orgânica da Magistratura (LOMAN). 
Concorreram para o cargo de presidente do TJTO dois desembargadores, ambos totalmente aptos e elegíveis por seguirem o que está explicitado no art.330, § 2º, que ressalta que “São inelegíveis para os cargos de presidente, vice-presidente e corregedor-geral da justiça, respectivamente, quem os tenham exercido, até que se esgotem todos os nomes.”
No § 1º, do mesmo artigo, o Regimento Interno fala que a ordem de antiguidade será respeitada somente em caso de persistência de empate. “Proceder-se-á à nova votação, entre os mais votados a um mesmo cargo, no caso de empate, e, persistindo este, será escolhido o mais antigo”, o que não ocorreu na votação, sendo o desembargador João Rigo Guimarães eleito com 6 do total de 10 votos.
O TJTO ressalta que não havendo impedimento, todos os desembargadores possuem total direito e liberdade de candidatura e de escolha na hora de votar, prevalecendo sempre, de forma democrática, a decisão da maioria. Esclarece ainda que nunca houve qualquer registro nos assentos do TJ sobre "regra/tradição" da antiguidade e relembra que na história do Tribunal já houve diversos casos em que a antiguidade não prevaleceu.  
A Presidência do Tribunal de Justiça tem profunda admiração por cada um dos membros da Corte, por sua história e trajetória na magistratura.”