Um grupo de oito indígenas, de etnia não identificada, foi avistado no último dia 09 de outubro, na Ilha do Bananal, por um agente de Manejo Integrado do Fogo (PrevFogo/Ibama) no momento em que encerrava uma operação de combate a incêndios florestais. O caso foi reportado ao Ministério Público Federal no Tocantins (MPF/TO) que acredita se tratar de um população indígena isolada, e por isso, o procurador da república Álvaro Manzano recomendou à Fundação Nacional do Índio (Funai) e ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) tomem medidas protetivas a esses indígenas.

A recomendação do MPF é de imediata interdição de uma área no interior da Ilha do Bananal, além de providências necessárias para a proteção e isolamento dessa população e que os órgãos adotem medidas protetivas na região, para evitar a entrada de pessoas estranhas ao local.

De acordo com o órgão, o agente que avistou os indígenas nasceu na Ilha do Bananal, portanto cresceu em meio aos indígenas, fala a língua Iny e conhece bem os povos Javaé e Karajá, que habitam a Ilha. Segundo ele, as pessoas avistadas eram completamente diferentes dos Javaé e dos Karajá.

O agente avistou o grupo quando estava se deslocando de helicóptero para a base do centro. Enquanto estava a 100 metros de altitude e procurava identificar se havia mais algum foco de incêndio, avistou, em local próximo à Mata do Mamão, oito indígenas, sendo seis adultos e duas crianças.

Avá-Canoeiro

Em documento enviado ao MPF, a PhD em Antropologia Patrícia Rodrigues acredita que a população avistada provavelmente é do povo Avá-Canoeiro, também conhecido regionalmente como “Cara Preta”.

A antropóloga lembra que “o termo ‘isolados’, utilizado pelo órgão indigenista, tem sido criticado por estudiosos do assunto, enquanto eufemismo que pode supor uma opção voluntária por uma vida autônoma, quando na maioria dos casos se trata de grupos de ‘refugiados’ de circunstâncias históricas de grande violência, os quais não tiveram outra opção a não ser fugir do contato.”

Ela faz um resgate histórico da situação do povo Avá-Canoeiro desde a década de 70, desde genocídio às atuais queimadas, e lembra que vários relatos sobre esses grupos refugiados foram reportados à Funai. “Mesmo com relatos de diversas fontes sobre a presença desse possível grupo de refugiados na Ilha do Bananal, a FUNAI não tomou nenhuma providência efetiva até agora, além da única expedição infrutífera de 2016”, diz Patrícia.

A preocupação da antropóloga é quanto à integridade física dos indígenas  “uma vez que não há nenhuma possibilidade concreta a médio prazo de uma vida digna para esse povo fora da Ilha do Bananal.”