Morreu na manhã desta sexta-feira (30) José Divino Pereira, a principal voz de "A Hora do Ângelus", programa exibido às 18 horas na TV Anhanguera, com texto de Javier Godinho, que ficou no ar por quase 50 anos. Além de "A Hora do Ângelus", José Divino de 83 anos apresentou vários telejornais da emissora. 

Fumante durante décadas, José Divino sofria com insuficiência respiratória. Ele foi internado nesta quinta-feira, 29, na Unidade de Terapia Intensiva do Instituto de Ortopedia de Goiânia (IOG) e morreu nesta manhã. Seu corpo será velado no cemitério Parque Memorial onde será sepultado ainda nesta sexta-feira, às 17 horas. Ele deixa a mulher, Esméria Braga, sete filhos e oito netos.

Para Jackson Abrão, o segundo funcionário contratado pelo telejornalismo da emissora, a maior lembrança de José Divino é sua voz narrando a Ave Maria. "Era um culto dos católicos", afirma. Os dois trabalharam juntos por 55 anos, "num tempo que fazíamos praticamente tudo sozinhos para que a notícia fosse ao ar", lembra Jackson.

A voz divina

Uma das primeiras lições do telejornalismo é que o texto precisa casar com a imagem. No caso do programa A Hora do Ângelus, o texto de Jávier Godinho encontrou na voz inconfundível de José Divino o casamento perfeito. Locutor desde sempre do programa - assumiu assim que Selen Domingos deixou a TV e foi substituído apenas algumas vezes por Welton José - José Divino trouxe do rádio o tom necessário para o programa.

“O texto do Jávier sempre exigiu uma interpretação em um timbre mais tranquilo”, conta Divino, pioneiro da TV Anhanguera. Ele destaca a importância que Magda Santos, que por muitos anos foi diretora artística da emissora, teve para o programa. “Havia um empenho pessoal de todos nós porque sabíamos da importância daquele momento para os telespectadores”.

José Divino contou que não foram poucas vezes que as pessoas, ao escutarem sua voz, o pararam na rua para agradecer as mensagens de otimismo. “Com o Jávier também acontecia de algumas pessoas chegaram para dizer que a voz dele é linda”. (Renato Queiroz)