Dídimo Heleno
 
Ainda no ano de 2015 um casal do Estado do Paraná perdeu o filho logo após o parto em razão de falta de leitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico de Ponta Grossa, o que obrigou o bebê, que nasceu com complicações após inalação de mecônio, a ser atendido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 
 
A única vaga existente na ocasião ficava distante 83 km, no município de Irati, mas a falta de transporte adequado fez com que o recém-nascido ficasse por cerca de nove horas incubado, o que acabou resultando em sua morte. Em novembro de 2019 a sentença foi proferida e os réus, Estado do Paraná e União, foram condenados à indenização por danos morais no valor de R$ 100 mil a cada um dos autores (pai e mãe do bebê), além de danos materiais no valor de R$ 2.180,80. 
 
O Estado do Paraná e a União tentaram “tirar o corpo fora”, alegando que não tinham legitimidade por não serem responsáveis pelo hospital onde ocorreram os fatos, imputando a responsabilidade ao município de Ponta Grossa. Porém, a desembargadora federal Vivian Josete Pantaleão Caminha entendeu que “a responsabilidade da União decorre da ausência de fiscalização sobre a manutenção de serviço adequado de saúde para atendimento de alta complexidade. A responsabilidade do Estado do Paraná, por sua vez, decorre da omissão quanto à disponibilização de leitos de UTI neonatal suficientes para o atendimento da população e em conformidade com os critérios fixados pelo Ministério da Saúde”.  A sentença foi mantida na íntegra. 
 
“A mera plausibilidade de que o leito em unidade de terapia intensiva, em momento oportuno, poderia salvar a vida do bebê autoriza a responsabilização da União e do Estado do Paraná, que decorre da omissão na instalação de novos leitos na cidade de Ponta Grossa, que conta com uma população de aproximadamente 400.000 habitantes, acrescidas dos cidadãos das cidades próximas”, concluiu a relatora.