O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) começou, nesta segunda-feira, 26, a coletar dados para a nova Pesquisa Nacional de Saúde (PNS). Os pesquisadores vão visitar 108 mil domicílios em mais de dois mil municípios do País até fevereiro de 2020. O objetivo é traçar um verdadeiro raio X da saúde do brasileiro e do atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS).

Considerado o maior e mais completo levantamento sobre a saúde da população na América Latina, a nova PNS vai investigar a prevalência de doenças crônicas, além de outros indicadores importantes de estilo de vida, como sedentarismo, tabagismo, dieta e consumo de álcool. A pesquisa vai coletar também o peso e a altura de um morador por domicílio para aferir o grau de obesidade da população.

“Por incrível que pareça, tem muita gente no País que nunca se pesou ou se mediu”, afirmou o diretor-adjunto de pesquisas do IBGE, Cimar Azeredo. A pesquisa deste ano é feita em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Ministério da Saúde.

A primeira PNS foi feita em 2013 – a deste ano é a segunda. No entanto, os dados de saúde vinham sendo apurados como parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios a cada cinco anos, desde 1998, permitindo comparações. “Essa pesquisa é muito importante para embasar políticas públicas, bem como para a detecção de novas agendas”, resumiu o diretor de pesquisas do IBGE, Eduardo Rios.

A última PNS revelou, por exemplo, que entre a população com 18 anos de idade ou mais, o percentual de fumantes era de 14,5% e o de pessoas que costumavam ingerir bebida alcóolica pelo menos uma vez por semana era de 24%.

Em 2013, a obesidade acometia um em cada cinco adultos, sendo que o percentual era mais alto entre as mulheres (24,4%) do que entre os homens (16,8%). A pesquisa também mostrou que 7,6% da população tinham sido diagnosticados com depressão. E ainda que 21,4% da população eram hipertensos, 6,2% diabéticos e 12,5% tinham o colesterol alto.

A pesquisa deste ano vai acrescentar ainda novas apurações. Os entrevistadores vão apurar temas relativos à paternidade, como a participação masculina no pré-natal. A PNS vai apurar também com que idade os entrevistados tiveram sua primeira relação sexual. A violência (física, sexual ou psicológica) também será aferida na nova pesquisa, com detalhes sobre o local das agressões e o agressor.

As parcerias com a OIT e o Ministério da Saúde vão investigar as condições de trabalho, com perguntas para detectar condições precárias e doenças relacionadas à atividade, bem como a qualidade do atendimento no SUS. “As pesquisas e as evidências científicas são fundamentais para a tomada de decisões e a implementação de políticas no Ministério da Saúde”, afirmou a diretora de programa da Secretaria de Ação Primária à Saúde do ministério, Caroline Martins.

Os entrevistados receberão uma carta do IBGE avisando da visita dos pesquisadores. Todos os funcionários estarão identificados com crachás.