A Fiocruz recebeu neste sábado (6) o primeiro lote de matéria prima para a produção brasileira da vacina contra Covid--19 desenvolvida pela AstraZeneca/Oxford. São 88 litros, suficientes para formular 2,8 milhões de doses.

A expectativa é que as primeiras vacinas produzidas pela Fiocruz sejam entregues ao Ministério da Saúde entre os dias 12 e 15 de março. Antes, o imunizante será avaliado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, esteve na Fiocruz para acompanhar a chegada do IFA (sigla para ingrediente farmacêutico ativo) da vacina AstraZeneca/Oxford, mas não falou com a imprensa.

Fabricado na China, o lote de IFA chegou aí CTV (Centro Tecnológico de Vacinas) da Fiocruz por volta das 20h deste sábado. Será descongelado a partir do dia 10 (sua armazenagem é feita a -55ºC) e formulado até o dia 12 para passar por uma pré-validação.

Entre os dias 13 e 17, será envasado, revisado, rotulado e embalado, passando também pelo controle de qualidade. Outros dois lotes são esperados para o fim do mês.

Segundo cronograma divulgado na sexta (5), a Fiocruz pretende formular e envasar cerca de 28 milhões de doses por mês. Isso dará um total de 100 milhões de vacinas até julho, quantidade que estava sendo projetada desde o início e não sofrerá atrasos, segundo o laboratório.

Em abril, a fundação começa a incorporar a tecnologia para produzir seu próprio IFA em sua fábrica, não mais dependendo da importação do insumo. A expectativa é que a entrega das primeiras remessas totalmente nacionais comece em julho, somando mais 110 milhões de doses no segundo semestre.

A divulgação do cronograma ocorrem em cerimônia de lançamento do edital para a construção de um novo complexo industrial da Fiocruz, que ficará em Santa Cruz, na zona oeste do Rio, com investimento previsto em R$ 3,4 bilhões.

A previsão é que os primeiros prédios sejam entregues em 2023 e que a operação comercial comece em 2025. O empreendimento será o maior centro de produção de produtos biológicos da América Latina, aumentando em até quatro vezes a capacidade atual da fundação.