A família de empresários do Salão Styllus, na JK em Palmas, publicou um relato nas redes sociais do advogado Edimar Ferreira da Silva contestando a ação o Corpo de Bombeiros na quarta-feira, 23, que resultou na detenção de três sobrinhos dele, de 20, 12 e 9 anos, filho do cabelereiro Elismar Ferreira, 44 anos.
 
Segundo o pai, os três filhos saiam do sítio onde moram desde 1991 nas proximidades do Clube do Detran e Jóquei Clube, mas viram os vizinhos tentando apagar um incêndio florestal e foram ajudar no combate. “Todo ano a gente se ajuda ali para evitar que o fogo pule a estrada, então meus meninos estavam colocando contrafogo, quando os Bombeiros que nunca atendem o chamado para combater o fogo apareceram, mas invés de ajudar, levaram meus meninos pra delegacia.”  
 
“Eles tentaram explicar, interrogaram até meu menino de 9 anos, mas ninguém quis ouvir”, continua. Elismar disse que ele e a mulher ainda estão “perdidos” com a ação dos bombeiros, mas estuda encaminhar um ofício ao comando da corporação relatando o que considera um abuso de autoridade. 
 
O tio das crianças, que é advogado, chama a ação no relato que fez nas redes sociais de “descaso e ignorância na interpretação da lei diante das circunstâncias do caso”. Ele também narra que a ação dos bombeiros fez com o fogo se alastrasse no dia seguinte. “Nos levaram pra delegacia e não conteram (sic) o fogo que nesse momento está de frente nossas casas, fomos impedidos de agir e não tomaram as providências pra conter o fogo, vai queimar nosso sítio também, indignação. ”
 
O JTo não encontrou registro processual disponível dessa abordagem após a apresentação dos familiares à Polícia Civil.
 
Versão dos bombeiros
 
No site da corporação, uma matéria afirma que na sexta-feira, 24, [um dia após os episódios criticados pela família] a corporação impediu que um estrago ainda maior pelo fogo ocorresse após ter queimado uma área de mais de cinco mil metros quadrados, no sul da capital. 

Segundo a nota, a ação ocorreu às 13h30. De acordo com os bombeiros a equipe precisou usar um caminhão auto bomba tanque florestal (ABTF), próprio para combates a incêndios florestais, bombas costais e abafadores. 

Não há menção no site dos Bombeiros, ao episódio com os flagrados por suposto crime ambiental que deu origem à reclamação da família, mas acionada pela reportagem, a corporação emitiu a seguinte nota.

"O Corpo de Bombeiros Militar foi acionado e ao chegar no local, verificou pessoas ateando fogo. Em que pese poder haver fundamento para a ação destes que contestam a ação dos bombeiros, a situação precisa ser investigada e será esclarecida por meio do devido processo. A Corporação, sem qualquer abuso, tomou as providências cabíveis, dentro da legalidade com que pauta suas ações. Esclarecemos que não raro, nos deparamos com ocorrências em que pessoas iniciam a limpeza de seus lotes e acabam perdendo o controle do fogo, o que apesar das motivações que levam ao feito, não pode deixar de ser apreciado pela autoridade policial. Agimos com isonomia, como seria com qualquer outro cidadão. Em sendo a motivação para uso do fogo amparada por qualquer espécie de excludente de ilicitude nesse caso, isso deverá ser demonstrado por meio dos procedimentos de praxe. Permanecemos trabalhando incansavelmente e à disposição da sociedade tocantinense, principalmente nesse período crítico de estiagem, quando nosso Estado tanto padece com os efeitos do fogo".